quinta-feira, 1 de maio de 2008

a chuva

04/06/04

hoje a tarde...
um temporal se arma nos céus capixabas e a previsão é de vendavais e chuvas de granizo...
aí também estava debaixo dágua... nada de céu azul aqui também, nada de brilho do sol oblíquo do outono, só nuvens negras se avolumando, formando uma massa escura sobre mim, sobre os morros, sobre as praias... a cidade fechada em uma concha plúmbea... e por dentro uma opressão... os morros podem deslizar, as casas podem ser soterradas e o mundo começa a parecer tão louco e sem sentido que eu não consigo nem ver o telejornal que a náusea sobe pra minha garganta em forma de choro... e a vontade é de estar longe disso tudo...
as propagandas do dia dos namorados que eu não suporto... chocolates, beijos e celulares em
out doors pela cidade e o buraco negro no meu peito crescendo e me engolindo inteira nesse derramamento, incessante jorro de mim...
ontem olhei a lua no céu e um véu branco leitoso a cobria...
e no caminho de casa as formigas enlouquecidas migravam em caminhos tortos pelos meio-fios... elas sabem que o céu vai transbordar e alimentar o mundo com a água da vida e da morte...
excesso por todos os lados e ando evitando as lojas americanas, as vitrines e os shoppings... ando destrambelhada, menstruada e desequilibrada... a cada momento um pólo da alma, uma intensidade que pedi mas que não queria e só fazem 18 dias que dormimos um nos braços do outro... outro céu, outro mar, outro rio e onde estão os deuses do equilíbrio e do encontro que nos fizeram este amálgama de carne e alma e cheiros e beijos e projetos???
tantas idéias, vontade de fazer, criar, transformar o mundo... e eu presa no filme dos outros, na ignorância dos adversários, no ego, enorme ego de pessoas que não sabem o quanto atrapalham, ou sabem e é isso que querem...
e eu só quero criar, amar e beijar na boca e ver a lua e que todo mundo possa fazer a mesma coisa e ser humano incompleto e ir ao fundo do mundo e ao mais alto céu estrelado simultaneamente...
e tudo isso pra dizer que tá doendo e que eu tenho saudades e que sinto falta do seu peso, da sua boca, das suas mãos, do seu sorriso, da sua voz e do seu abraço ao dormir... sempre em camas de solteiro... algumas duras, outras macias, mas sempre com o espaço suficiente pro abraço, pro amasso, pro seu braço sobre o meu espaço...
e vai chover e chover muito sobre vitória, sobre seus morros, sobre suas praias, sobre mim e dentro de mim...
não acho mais lugar dentro desta caixa chamada saskia...
hoje a noite... ainda chove, mas menos... o céu desabou, só vi pela varanda, depois trabalhei decupando roteiro e agora falo com vc.
um beijo grande, vou pra casa... se der me ligue.
a lua está encoberta mas deve estar por aí em algum lugar do céu...
mais beijos.
eu.

Um comentário:

Liuba disse...

adorei, Saskia. incrível como a gente vê melhor, como as pessoas se revelam nos escritos, não? podem fingir, claro que podem, imagina se eu diria que não há ficção nesse mundo, mas o fato é que nas entrelinhas, quando não nas próprias linhas, tá lá você. adorei. se quiser me visitar, minha casinha tá aberta: www.dojeitoquefala.blogspot.com
beijo