sexta-feira, 2 de maio de 2008

doce de leite de verdade

doce de leite de verdade

21/08/2004

Vejo cores brilhantes, cegam e tenho vontade de escrever sons que dancem na boca na hora do beijo molhado da saliva grossa guardada escondida no cofre do olhar...
A boca na garganta, o pulsar da jugular na hora do gozo...
Só deixo então, a mão agir, captando imagens que trazem sonhos pro papel cor de carne...
sua pele creme, cor do mel que sai de mim quando sou lambida/comida com gula...
devastada por dedos de deuses...
arranhada com o pelo grosso da sua barba negra/mediterrânea...
E os cabelos enrolados em volta dos meus dedos, seu punho fechado em volta de meus cabelos quase lisos/marrom como chocolate...
e mordo a pele quente/vulcão...
labaredas correm pelos lençóis de mil camas de mil quartos de mil hotéis...
Fantasmas pelos corredores gemendo a dor e o deleite fantástico de carnavais e funerais e festivais e procissões e ladainhas e fincadas de mastro e bandeirolas ao vento, recorte rubro no céu azul do inverno quente da minha terra/ilha/istmo de rocha invadindo o território da água clara/morna da minha terra/ilha/mar...
onde passeio pés na areia cor de doce de leite, daquele feito por mãe...
doce de leite talhado em tigela de vidro azul na geladeira, comido de colher a cada hora em que me lembro de levantar no sonho de infância, de mulher feita agora...
sonho com o mel e o creme da sua cor e vejo coisas de olhos arregalados com a delícia das cores brilhantes do mundo que só faz me cegar de prazer...
E vejo muito mais com os olhos da memória de tantas cidades visitadas/bebidas/comidas/beijadas...
a esquina de São Paulo, que de tão bêbada, confundi com a outra, a esquina de Belo Horizonte, onde comi sanduíche de rua, onde os crentes desaguaram como cardumes/rebanho de vacas indóceis do templo do dinheiro...
e na Augusta eu fiz um tour pelo inferno, embriagada pela euforia e pela desolação gigante na madrugada no meio de tantos amigos e bares de streep tease e putas e travecas e você andando na frente e eu ficando pra trás...
A desilusão no rio de asfalto, onde bêbados navegam trôpegos suas solidões desritmadas...
e dessa vez eu gostei de São Paulo, como tenho gostado de todas as cidades/esquinas/prédios/parques que nunca visito com leões de pedra e lagos e árvores velhas e banquinhos onde sentam os velhinhos, os namorados, as babás e os cachorrinhos...
cachaça e cerveja e ressaca...
café da manhã com hora pra acabar o sono enrodilhado no seu abraço, mesmo que na noite tenh socado você com raiva, ainda hoje quero seu calor e voltar a ver as cores brilhantes que me cegam quando enxergo visões de olhos bem fechados de dor de amor...
que me trazem o prazer de sentir a carne da alma machucada, joelhos ralados, costas marcadas e dedos feridos da parede áspera que tomou o lugar de seu ombro no boteco de Belo Horizonte...

Como sinto falta... me falta o ar...

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