sábado, 3 de maio de 2008

FRAGMENTOS DE VIAGEM... 1






Documentário-ficção desconstruído sobre o real da minha vida.

02/04/06 – AEROPORTO DE VITÓRIA.
INDO PARA CURITIBA.

Bateu uma solidão danada antes de viajar e acabei comprando um maço de cigarros depois de um mês sem fumar. Já tinha dado uns tragos em outras ocasiões, mas me senti um pouco idiota fumando do lado de fora do aeroporto. Mas enfim, a vida é muito idiota em muitos sentidos idiotas.

Na sala de embarque havia muitos judeus, daqueles tradicionais com chapeuzinhos dos quais no momento esqueci o nome, barbas longas e costeletas enroladas e, ao meu lado, duas mulheres levavam livros de vendas, o melhor é o título: O VENDEDOR PITT BULL! “Literatura” cachorra pronta a atiçar a agressividade dos negócios, antes na coleira. Como se o mundo precisasse disso.

Sentaram-se ao meu lado, é claro, só espero que elas não puxem conversa...

03/04/06 – CURITIBA.

O trabalho começou, tivemos reunião.
Dormi mal, como sempre na primeira noite fora de casa.

Conheci pessoas... Talvez morar aqui, dar aulas aqui... Delírios pra espantar o sono, enquanto assisto uma palestra e um documentário da Joana Nin, que acabou de ganhar o É TUDO VERDADE...
Ando cansada do mundinho...

04/04/06 – RUAS DE CURITIBA.

Um passeio à toa pelas ruas de Curitiba para comprar pilhas, creme dental e bugigangas, revela uma manhã de frio sol de outono... Luz oblíqua, sem clichê, como é a luz do sul, que desvela um céu azul limpo e transparente em pleno centro da cidade e é aniversário da minha filha, 18 anos hoje e então, eu sou mãe de uma pessoa na maioridade (o que significa isso?), 18 anos hoje e eu caminho pelas ruas do centro de Curitiba...

05/04/06 – OUVINDO E VENDO ENYA NA TV.

Não que eu goste, mas lembrei de Mac (que gostava) e me pareceu tão estranho ele não estar mais aqui. Poderia estar caminhando sobre a Terra, sentindo o sol, o vento, dores e amores, prazer...
Vejo com a nitidez da memória: seu rosto, seus olhos, seu sorriso de moleque, tão bonito.
Ele que se dizia mãe da minha filha, minha menina na minha barriga, agora com 18.
Tomando conta de mim nas minhas noites grávidas, pra eu não fazer besteira.
Depois brincando com ela, criança com ela.

O tempo dos amigos... Será que acabou?

O sino da catedral tocou se misturando com a música. Foi estranho e apropriado.

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