quarta-feira, 28 de maio de 2008

ilhas

VITÓRIA, 28/08/06.

Fiquei doente hoje, na verdade eu quis ficar doente hoje. Dormi até tarde e dormi de novo depois de tarde... muitas horas de sono pra não pensar em mais nada, pra exorcizar toda a intensidade e toda a insanidade dos últimos dias. Insanidade das pessoas, das discussões, das vaidades, da cidade e do seu ar seco que me fez sangrar o nariz, que me fez a boca seca e da sua velocidade, da sua quantidade absurda de tudo: de gente, de carro, de palavras escritas e faladas, palavras demais, importância de menos.

Só não vi filmes, como sempre, mas ouvi muito e evitei falar demais. Mas é tudo demais, overdose destruidora e então, hoje, resolvi ficar doente e ouvir a chuva abençoada que caiu na cidade ilha onde moro por enquanto.

Mas não senti mais o estranhamento que sempre sentia em São Paulo, não me senti afogando no seu ar seco e marrom e, quando olhava pro seu horizonte entrecortado e vertical, o único susto que levei foi o de não mais me assustar. E isso é mais assustador e mais estranho do que qualquer estranhamento que pudesse me assaltar...

E acho que aprendi um pouco mais da arte de arrumar malas e até um pouco da de carregar malas e um pouquinho também da difícil arte de tentar não ser mala, pesada, empacotada e carregada por qualquer mão descuidada.

E fui feliz um pouco em um certo apartamento, onde fui agradavelmente surpreendida por um calor delicado e uma quietude cortada por risos e conversas suaves e prazeres sem pressa em uma ilha de calmaria cercada pela loucura da cidade e da política cinematográfica...

Então, amanhã estarei curada novamente e partirei pra minha própria loucura da minha própria cidade.
Mas ainda é hoje e me permito um instante de silêncio e recordações escolhidas no meio do caos dos últimos dias.


Um comentário:

Anônimo disse...

Oi querida, que lindo! Adorei este conto. Bjs carla