quarta-feira, 14 de maio de 2008

são paulo e eclipse

07/05/2004 - 17:40:11

Detesto São Paulo!
Simples assim, como quem detesta um cheiro, uma comida, algo que não engole.
A sensação de pequeneza...
A velocidade insana e absurda de viver na superfície e no limite da vida.
Ao mesmo tempo amo me diluir no mar de rostos que esbarram no meu olhar...
A grandeza e a miudeza das vidas que não significam nada no grande mar que é São Paulo.

Acabaria me acostumando em viver lá,
mas detestaria me acostumar com isso...
Com a sensação de falta de realidade, de estar presa, amarrada, sem futuro, nem passado...
Folha úmida caída na calçada, pisoteada pelos sapatos de griffe da vã modernidade
de um mundo que já morreu e ainda não sabe...

O nada, o horror, a náusea, a boca seca e o coração apertado...

Cansada o bastante pra querer voltar pra casa, seja lá onde for o lugar, que eu possa um dia chamar de casa...
Cansada o bastante para me sentir diminuída, perdida no vácuo da grande cidade,
que não me compreende e não quero compreender.

A aeronave decolou e vi São Paulo ficando pequena no quadro da janela.

Adeus São Paulo...
Cidade oceano, com seus prédios, casas, história e histórias...
Suas ruas/rios... que em vez de peixes, dão carros e ônibus e gentes em penca.

Então o eclipse da Lua...
E eu, vestida de preto e roxo litúrgico...
A turbulência e o Sol indo do outro lado...
A música no head phone e uma emoção insana crescendo e me engolindo...

Então as nuvens macias, azuis... abrindo pra minha cidadela iluminada,
minha ilha de luz incrustada no oceano negro...

E eu tão feliz e surtada, chorando com a cara boba grudada na janela...

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