terça-feira, 26 de agosto de 2008

crônica carioca 4


















12/06/07 - INDO EMBORA
Cidade entre a culpa e a redenção.
A entrega desmedida à vida que rasga suas veias, do mar até suas montanhas cegas aos seus conflitos, seus barracos de alvenaria pendurados como brincos de um cristo indiferente como indiferente aos seus apelos são os homens...
Mas mesmo assim, tu és tão bela, mesmo com tuas águas podres e a névoa seca que tinge o céu da tarde de cinza amarronzado e suja suas fachadas néo-clássicas, art nouveaux ou belle époque, tanto faz...
Linda dama decadente que ainda tenta se equilibrar nos saltos de passista de escola de samba pelas suas avenidas bêbadas e ladeiras de Santa, onde os meninos e as meninas nada santos descem a rebolar e sacudir suas rasta-cabeleiras, na esperança vã de que o nome do cristo não seja só um nome e que um dia, corações iluminados, essa humanidade corroída, próxima ao fim, alcance enfim a redenção...
Mas dessa vez eu não tive nenhum medo da cidade.
Tudo mudou e andei solta demais por suas ruas, pois já sou livre e não reclamo mais a redenção.

Um brinde a incerteza então, com um chope gelado na Lapa!

Até a próxima...

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