sábado, 2 de agosto de 2008

crônica carioca 1 - do improvável e do absurdo














foto-still - de Rodrigo - do meu filme "A fuga"

04/06/07

Então, to no Rio...

E me descubro com uma puta solidão. Acho mesmo que me precipitei em ter vindo hoje e reservado a casa e tal... Mas pode ser só o estranhamento do primeiro dia no Rio depois de tantos anos sem vir pra cá ou, talvez, por estar em Santa Teresa, bairro em que nunca fiquei e me causa uma sensação de não-lugar, de excesso e exceção no tempo-espaço. Além de ter se tornado um bairro absolutamente turístico, acho que, em toda a minha vida, nunca me senti tão turista, nem quando fui realmente turista em férias pelas inúmeras praias do imenso litoral brasileiro. Talvez por estar trabalhando, o contraste com os “verdadeiros” turistas se torna um tanto absurdo.
Não dormi direito esta noite e nem tenho dormido bem na última semana, pesadelos, sonhos estranhos, suores noturnos e uma insônia excitada com a viagem e o iminente término do filme, chego aqui e fico com este tambor no peito anunciando um final apoteótico que nunca chega.
Desde o ano passado, em que quase me transformei em paulistana, quando já começava a me sentir à vontade como um peixe mutante em seus cinzentos rios-ruas, eu não viajava e agora me sinto verdadeiramente estrangeira nesta cidade prostituta.
Um medo irracional, como quase todos os medos, me ronda o tempo todo. Medo de não conseguir terminar o filme no prazo, de estar deixando coisas importantes por serem feitas em Vitória, de sofrer algum golpe de um carioca esperto... Sei lá, acho que andei acomodada na minha ilha nos últimos meses...
Talvez seja só o término desta fase, desta Saskia, ainda presa ao carma do filme e de tudo que me foi arrancado neste processo. Pode ser que amanhã as coisas estejam diferentes e estarão.
Sinto saudades da minha filha, das pessoas e dos lugares queridos e conhecidos onde circulo, saudades de algo que sei, vai mudar para sempre, como sempre se muda algo quando se viaja e se muda a perspectiva com o estranhamento da paisagem.
E tem o livro que estou lendo e que, no momento só me dá porrada filosófica, as últimas certezas desmoronando, se é que ainda as tinha.
E tem ainda a idéia para uma história: dos amigos, da explosão, da morte dos entes do passado, do vazio e do novo que não vem nunca...
Enfim, é tudo e mais um pouco e as metáforas não são mais suficientes e nem tão claras como antes de ultrapassar a última linha depois da perda da inocência, em direção ao Fora...

Nenhum comentário: