sexta-feira, 26 de setembro de 2008

longe demais



26/10/2007

Ou o perto... felicidade possível.

Eles estavam ali há horas conversando na semi-obscuridade do quarto, as pontas acesas dos cigarros de filtro amarelo se animavam vez por outra e iluminavam pequenos pedaços dos seus rostos.

Ela deitada nua, olhava pra silhueta dele tentando imaginar seus traços, definir sua expressão quando ele puxava a fumaça e a brasa se animava, mas só podia vislumbrar o brilho refletido nos seus olhos.

Estava ali brincando com essas imagens enquanto ele falava, satisfeita depois do gozo, tentando adivinhar o significado oculto no que ele dizia, no que os dois diziam.

O universo havia parado a sua dança imutável e aquela casa suspensa no topo do mundo, aquele quarto pequeno e escuro, aquecido pelo fogão à lenha da cozinha ao lado, era o último lugar que existia, pelo menos era o que ela imaginava naquele momento, trancada ali com ele, satisfeita... muito satisfeita.

Às vezes ele olhava pra ela e tentava entender, enquanto falava, falava pra tentar entender tudo que vinha acontecendo com os dois até aquele dia, até aquela hora. Na escuridão, ele adivinhava, via seus traços com a mente, ela deitada, seu corpo quente, agora quente, as cobertas espalhadas, seu sorriso, os olhos, o corpo magro que ele havia comido... cada pedaço, apertado, mordido, seus cabelos que ele havia puxado, deixando ela sem ar sob o seu peso.

Sexo bom, sempre bom. Parecia que tinham se visto ontem mesmo e que a distância, o espaço e o tempo não existiam. Com ela podia ser, falar, fazer o que quisesse, ele sabia que ela agüentava, gostava de tudo o que ele pudesse inventar e agora ele não mais se assustava com a sua entrega total, com a sua capacidade de ultrapassar limites.

Ela se cobriu um pouco, seu corpo começava a esfriar. Ele acariciava sua coxa e fumava. Tudo tão familiar, seus gestos, seus movimentos no escuro, a forma como ele tomava seu corpo pra ele, pressionava... quase tortura, quase dor, tudo na fronteira. O homem e a mulher...

Para ela, agora não importava mais o que acontecia fora dali, porque neste momento, no agora, a felicidade era possível, aprendeu a viver com a felicidade possível, sem se distanciar do presente, sem planos pro futuro. Ou sempre havia sido assim...

O sexo, a arena onde ela se jogava inteira, com todos os seus poros, pêlos, buracos e volumes, líquidos e suores, cheiros e sangue. Pulsação da pele contra a pele e nada mais. Como que uma impossível metamorfose transformasse, fizesse a fusão impossível de homem e mulher. Como se os dois corpos se moldassem molecularmente em um novo ser, por um segundo, quando o universo explodia em gozo e se fragmentava em partículas. Quando ela podia ser e deixar de existir, se misturar ao magma, ao princípio e fim de tudo.

E então, aquela paz... O escuro, o silêncio, pontuado pelas palavras calmas, a respiração, a sensação de calor emanando da pele do outro, o coração se aquietando enquanto as brasas iluminam fragmentos de pele e brilham nos olhos lambidos do gozo...

4 comentários:

Lobo Pasolini disse...

Sáskia querida, me manda seu email.
Beijos! Lobo (apasolini@gmail.com)

MARCELO MENDEZ disse...

Será que vc é a moça que conheci na jornada nacional de cineclubes?? Seja lá como for, gostei muito de suas letras.

parabéns

MARCELO MENDEZ disse...

Pois é... Preciso atualiza-la. Agradeço-lhe a visita. Então na jornada eu até queria conversar contigo mas não o fiz porque notei que estavas muito ocupada de trampo e tals. Mas repito; Gostei de suas letras. Vou deixar meu e-mail/msn aqui:

marcelxx@hotmail.com

manda lá o teu e trocaos nossas letras

beijo

Oskar Glauber disse...


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