terça-feira, 23 de dezembro de 2008

SALA VAZIA TELEFONE MUDO

E VEJO UMA SALA VAZIA ONDE SÓ HÁ UM TELEFONE QUE NUNCA TOCA
E VEJO UMA SALA VAZIA ONDE SÓ HÁ UM TELEFONE QUE TOCA,
MAS NÃO HÁ NINGUÉM PARA ATENDER
E O VENTO MUDOU
E HOJE TODOS SAIRAM UMA HORA MAIS TARDE
OU MAIS CEDO
OU EU ESTAVA FORA DO TEMPO E DO ESPAÇO COMUM ONDE TODOS ANDAVAM E PEDALAVAM E CIRCULAVAM SUAS DORES E DESEJOS
E AS ÁRVORES DO MEU BAIRRO PERDEM ESPAÇO PARA OS PRÉDIOS
E EU ME EXIBO PROS PEDREIROS QUE CONSTRÓEM MAIS UM EDIFÍCIO NA MINHA RUA
TIRO AS MÃOS DO GUIDÃO E IMAGINO O DIA EM QUE CAIREI
E ELES VÃO RIR
MAS HAVERÁ AQUELE QUE GOSTA MAIS DE MIM E TERÁ COMPAIXÃO,
VAI MISTURAR SUA PAIXÃO COM A MULHER EXIBIDA DE BICICLETA E A SUA COTIDIANA SOLIDÃO MATINAL
E OS IPÊS JÁ COMEÇAM A PERDER SUAS FLORES, DESDE OS ROXOS, OS ROSAS, PASSANDO PELOS AMARELOS E ATÉ AQUELE LINDO COM FLORES BRANCAS QUE ME FAZIA SONHAR QUANDO PASSAVA POR ELE TODAS AS MANHÃS INVERNAIS TROPICAIS E AZUIS CLARAS CRISTALINAS TRANSPARENTES
E O VENTO FRIO PENETRANDO PELAS NARINAS E ME FAZENDO DESEJAR DEIXAR ESSA ILHA PRA SEMPRE
OU TALVEZ SÓ A CHANCE DE UM TEMPO NOVO EM UM NOVO LUGAR QUE EU POSSA CHAMAR DE MEU E UM AMOR QUE SEJA REAL, NÃO OS INVENTADOS QUE TIVE NOS ÚLTIMOS TEMPOS E QUE NÃO SATISFAZEM NADA DE NADA, NEM TAMPAM O BURACO CINZENTO DA EXISTÊNCIA DOMESTICADA QUE TENHO ARRASTADO FEITO CORRENTES EM CASA MAL ASSOMBRADA DE FILME DE TERROR TRASH...
E NESSE INVERNO A PEQUENA IPÊ EM FRENTE AO MEU PORTÃO QUE LUTA PELO SOL COM A ÁRVORE MAIOR AINDA NÃO FLORIU,
TALVEZ ESTEJA CANSADA COMO EU DE ESPERAR A VIDA VAZAR OU O TELEFONE TOCAR...

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