sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Noite quente de Oyá

Cadeiras vermelhas de plástico engaioladas no subúrbio

O Bronx suspira na colina

Cadeias de alumínio impedem a fuga de alecrins e manjericões

A erva fina sobe aos céus

A noite é quente e ventosa em setembro


A noite é de Oyá

a chuva depois do pai

e a chuva cai e o cheiro do cinza molhado entra pela janela 

ouço barulho de vassouras esfregando o chão e levantando a espuma 

vem a vontade de dormir no verão 

uma tarde preguiça ao som do trovão...

Fogo nos olhos/stranger in the night



E hoje, voando na manhã de vento sul tardio, quase findo, quase nada, vejo o homem lavando a calçada do quiosque e ouço o som da voz de sinatra aos berros de strangers in the night e vejo os guris pulando velozes com suas pranchas aladas no cimento do calçadão.
Olho pra garota que sorri pra mim e eu devolvo o sorriso apesar do meu nãohumor dos últimos dias/acontecimentos/decepções e calorosas angústias e penso que strangers in the night combina com os voos dos skates e então o céu plúmbeo se abre e derrama prata líquida no mar.
Penso que os afetos se vão e as nuvens se movem e tudo se transforma eternamente e ternamente em um fluxo constante de matéria líquida no ralo de um julho onde as pontes ganharam novos e incríveis significados.


E as pessoas agora têm fogo nos olhos...